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4.2.09

mesmo que não entendam

a minha visão diz
de tatuagens sobre coqueirais
não sei
se porque os associo
ou porque é isso mesmo
o que quero dizer
eu vejo tatuagens em coqueirais
e o que quer que eu faça
ou diga,
que não isso,
me impedem dizer
o que digo
quando digo
isso

22.12.08

verniz & cor

2 em 1
super glitter longa duração
com nutri-complexo
dentro do prazo
Vamos tacar acetona
Apesar de a cor cair
bem
ela é uma espécie
de sonho que não se acaba
Não poder se desvencilhar
trombar com uma cor
desgasta
Pode ser implicância
porque não se pintou aos 17
mas
o alívio que dá
ver a cor não cor
da unha
Escolhe a
cor certa que não vou mudar

Foi o que ela disse
Uma grosseria
que marca qualquer dedo
e dá vontade de se afogar
nessa acetona Musa
para pés e mãos
Realmente é uma solução
Causa alguns danos
desesperos
o cheiro, não derrubar
Tem gente que
faz por
prazer
eu faço por esforço
Gosto de outras coisas:
pé na terra
e toda minha infância

11.12.08

estudo de duas cartas entre amantes

não quero
tenho que
estou resolvido a
parei de
vou te pedir para
saiba que
me deixe com





está havendo um
acaba que
estou indo
acho
você me fala da
é natural que
se fosse
SE
o que quer dizer
torço por

2.8.08

a dor do coringa

eu sou o anêmico
o ponta de faca
o anacrônico
o incidente
o que urge
o que não enxerga
o que instiga
a transposição de
uma melodia afônica
eu sou a irregularidade do sonho
planta que germina e morre
o desordenado
o inabitável
o encravado
a postergação de sonhos
a umidade dos sonhos
a fogueira próxima
em volta da qual fazem festas
onde se vendem ingressos esgotados
eu sou o que se esgotou
o desejo e seus mortos
a voz do nenhum amor
borboleta de sangue
de vez em quando eu azul
que é para disfarçar
eu não tenho disfarce





Nora, 02 de agosto de 2008

18.7.08

mantém a cena
por um credo não tão belo
ao menos
os dentes agredidos
fora de foco

mantém STATUS
com seu all star
sobrevoa toda São Paulo
incrível como
se retalha
a partir de
bordas

quando a vida é ziper enroscado
cante o tralalá de abas,
aquela história
de chapéus

15.7.08

poesia resultante que fiz de um exercício dado em aula pelo Carlito, a junção que escolhi foi Paul Celan com Michel Deguy

não busques nos meus lábios uma porta de palavras
nem diante do portão, um ar de família
nem na pausa o calibre das cores


sete noites mais alto, dobra-se a corrente de ares
para vermelho
sete corações mais fundos, bate o ritmo
uma frase de língua
sete rosas mais tarde, rumoreja o tempo
de uma palavra nua

22.6.08

a esta experiência
se somam dois lados
ela cheira suas roupas
pra saber se tem valor
eu as arrumo em cores


plastifico o dicionário
como nos tempos de escola
e insisto no amarelo
ela enche de sacos plásticos a geladeira


a céu aberto,
todos a observam
ele se mira no espelho
do elevador, frente
às câmeras

2.6.08

Receia saber a ponte
que a levará ao próximo galpão
A amplitude de sua voz,
qual contorno

nem por isso se despede das frias lantejoulas de agora
(pendura-as nas sombras de dúvida)
Aspira, aspira: aspira
Em uma volta,aliás, escute:
datas , situações
era tudo assim?
e você se dá bem com isso?

com o sol enroscado na manhã
em golpes de luz
acorda seus pés
páre agora para retratá-la, a manhã
quando as janelas são só rotinas
quando os passos do mundo estão à sua volta

depois de várias manhãs você
nem sabe pousar a pele sobre si mesmo
por isso trava um espaço para si
estaria tudo à mesma
fugir da eletricidade do Tempo
de repente, como é de literatura, algo acontece
mas o quê ?
não ouve na estante nada molhado
não vê areias estações ladrilhos
nada acontece
ela esticou sua mente e se pôs a graduá-la:
fria
morna
ácida






Nora

1.4.08

Pessoas saem do meu mundo como aranhas bêbadas se segurando em teias imperceptíveis e provisórias. Tomam à força meu pescoço e o esticam para que eu veja sobre o edifício , a rua cheia de transeuntes incansáveis e não confessos.
Peço-lhes um copo de água mas estão ocupados com martelos.
O martelo afoga o prego que grita não um SOS mas uma ostra, uma lesma. Bichos do pé.
O prego não tem farpas mas a madeira sim. E esta vai entrar no seu dedo, daqui a um tempo não se sabe quando .







Nora