Hoje cedo aprendi a cobiçar pestana, pele fina dentre as peles, pele esperta.
Ainda quando o sol não desmascarava os ritos, observei a camada fria e morna que envolve uma maçã, o que talvez tranquiliza uma maçã mas que entorpece minha idéia sobre o que é ser uma maçã.
Não lembro traçar paralelos entre pele e pele, nem ter desejado a convicção de uma pele ser mesmo uma pele,
mas lembro, agora me lembro dos pequenos motivos que dei a esses dois destinos, pestana e casca, deixadas ao risco de um olhar sentido, de um olhar afoito de desejos, de um olhar explicitamente carnal.
Sobre a chaleira a vaporização das ervas aromáticas com as quais nebulei meu dia, e entranhei-o . Saí da berlinda, do ponto de apoio, para estar ao pé das impressões com as quais não se adquire nada.
Beneficios do prazer. Curioso, que eu tenha visto peles e que bem dentro da pele eu veja pele.
Ao cheiro que fervia na chaleira, em seu vermelho, em seu mais de um vermelho, a casca daquela maçã, dura, convicta, distribuída ao peso da cor.
O olhar respondia. Ao abrir dos olhos( pestana em porta) e em seu contrário( pestana em pouso)
Agora a transfusão de texturas deflagra no cérebro,
que ainda não se confundiu ao cotidiano, o que permanece como memória sensorial. Celebro.