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10.8.09

Depois da Rússia


Como está você? O que tem feito? Onde estávamos?

Era como se a subida não tivesse fim
E de repente estávamos no meio do quadrante
Aí você fala de amor como quem convenciona
Eu te digo: LOVE me,
Love me forever
E coraçõezinhos latejam néon
como as crateras, absurdas, se amam

Ligue para lá, ligue para lá e diga:
Oh, não, hoje eu não quero dançar.
Poupe meu esqueleto dessas repelências.
E ele responde: Veja
são coturnos , e aquele lobo lá no céu azul acinzentado
soturno,

Mary não veio. Não tem ninguém.


Eles dizem um ao outro:

Oh, baby, you do so well everything!

28.5.09

antes do sonho

Pode até ser que minha voz tenha o desejo carnal de empedrar.
Pode ser. A água cheia, a vontade de água, a água em suas formas plurais.
Sei que minha inocência mora no desejo.
Se detono o sono, se impeço a calma e se mesmo tenho em mim um nó que usa Rayban, baby, I don't know.
Falamos de superfícies.
Onde a ficção não é um non-sense.
Onde o tráfego aéreo é o turbilhão mais bem implantado no céu (cérebro).
Hoje, a imagem é a de uma cachoeira. Para mim. Se esta imagem for outra, talvez isso seja um prego no peito do passarinho ( asas pontudas pendendo)
E se você for embora baby - mas eu não vou embora.
Existe um caderno de rascunhos. Muitos os têm.
Mas isso não é como calcular imagens?
Baby, imagem tem punch.
O que posso dizer é que tomar um suco numa casa de verão pode ser tão interessante quanto... mas baby , para escalar preciso seu rosto. Por toda parte: inocência.

13.5.09

ele está lá. está ali, invariável. somos fogo cruzado. as teses atrozes, as teses que implodem. ele está ali. incrivelmente variável. atingido pela repercussão da hipótese. instigo. arremesso. faço ponta dupla. ele responde. ele sempre responde. ele é inteligente. ele cabe na palma da mão porque cruza as linhas do meu destino. ele é simplesmente tão. eu sou eu. eu não sou minha. eu na verdade ateio contra mim mesma. são as crises, as vertigens que abalam a tez. mas espere, ele está aí, bem na ponta, no eixo do que não meço. capto-o furtivamente. ele está parado. ele se mexe como os cristais.eu tenho um cristal em casa. mas trouxe-o de fora de casa. os cristais não tem nada a ver com a história.estamos contra a repressão.





3.4.09

à noite, com lua

Há na espera esférica o Você pousar sobre você. "no reencontro das coisas me reconheço."
Eu ando próxima da próxima jogada.Com alguns quesitos que não quero compreender, e uma voz golfando no fundo do sistema: prá que baila?
Nem o cigarro, nem a palma da mão, nem a voz dos dragões inconsolados tateando o fogo a preço de fumo.
Vai te catar em banhos de sais não consola.
Estão aqui os CDs açoitando os compassos compostos,na minha cabeça uma grande nuvem compacta vem me tirar para dançar, e eu espiono bananas.

10.3.09

eu, é.

O que não gosto no cigarro: os grampos que vêm até sua boca, logo assim que a fumaça se depara com a ponta da língua. A fumaça que sobe até a retina, deixando quente todo esse percurso de rosto. O gosto ácido de quem invade. O cheiro que martela suas mãos, e que se petrifica na falange entre indicador e segundo dedo.
As cinzas que soçobram no chão, ou no vidro. A capacidade de penetrar, perpetrar-se.
O que não gosto no cigarro: sua estética e sua forma escandalosa de decompor-se.
Cigarro é , para mim, resto de pai e mãe (que libertaram o cigarro de os ajudarem)
Uum pequeno incêndio que não trago.
Uma ogerize calculada.
Uma bituca de cigarro, um cigarro molhado na torneira da pia sendo os pontos ápices dessa estética.

22.10.08

Hoje cedo aprendi a cobiçar pestana, pele fina dentre as peles, pele esperta.
Ainda quando o sol não desmascarava os ritos, observei a camada fria e morna que envolve uma maçã, o que talvez tranquiliza uma maçã mas que entorpece minha idéia sobre o que é ser uma maçã.
Não lembro traçar paralelos entre pele e pele, nem ter desejado a convicção de uma pele ser mesmo uma pele,
mas lembro, agora me lembro dos pequenos motivos que dei a esses dois destinos, pestana e casca, deixadas ao risco de um olhar sentido, de um olhar afoito de desejos, de um olhar explicitamente carnal.
Sobre a chaleira a vaporização das ervas aromáticas com as quais nebulei meu dia, e entranhei-o . Saí da berlinda, do ponto de apoio, para estar ao pé das impressões com as quais não se adquire nada.
Beneficios  do prazer. Curioso, que eu tenha visto peles e que bem dentro da pele eu veja pele.
Ao cheiro que fervia na chaleira, em seu vermelho, em seu mais de um vermelho, a casca daquela maçã, dura, convicta, distribuída ao peso da cor.
O olhar respondia. Ao abrir dos olhos( pestana em porta) e em seu contrário( pestana em pouso)
Agora a transfusão de texturas deflagra no cérebro,
que ainda não se confundiu ao cotidiano, o que permanece como memória sensorial. Celebro.