Porque não há nada mais encantador do que a sua paz quando descansa.
Porque não há nada mais ativo do que a sua vida quando em movimento.
Trecho do poema " O meu gato Jeoffry" , de Chistopher Smart
1.2.10
28.1.10
Uma vez Calixto,
O Phantópera da Asma é uma banda de música eletrolírica. O Phantópera da Asma é uma sensação contemporânea. Como é? O Phantópera da Asma é algo entre os Beatles, Karlheinz Stockhausen, Frank Zappa, Roberto Carlos, Ramones e o day after de um homérico porre de Fogo Paulista. Mas como é que é? Tudo ao mesmo tempo. E nada ao mesmo tempo também. Uma banda de patafísicos etílicos. O Phantópera da Asma está gravando seu primeiro álbum intitulado Goober Soul. O álbum é composto por 12 canções sem qualidades – num mundo sem qualidades, nada mais honesto que canções sem qualidades. O destaque vai para “Tristan’s Contemporary Love Song”, uma canção de amor climática e triste (onde usam inserções lisérgicas (seja lá o que isso queira dizer) e melotron) e a versão personalíssima da música “4’33” do compositor erudito John Cage. A gente não sabe fazer música, mas a gente faz por pirraça. E, claro, diversão. Afinal: “A felicidade do Homem é uma Felicidade Guerreira. Viva a rapaziada! O Gênio é uma grande Besteira” (Oswald de Andrade).
Dados do disco de estréia (a sair no final do ano):
1. A primeira canção d’O Phantópera da Asma – suíte
2. Goober Soul
3. Cachorra saussuriana
4. Tristan’s Contemporary Love Song
5. Alta noite (Singing in the shower version)
6. Prozac Days
7. O espantalho e o coronel
8. Galactus Song
9. Um zoom de azuis
10. Você não deverá entender nada
11. Oswaldiana
12. 4’33
O Phantópera da Asma é:
Calixto – guitarra & voz & etc.
Frango – guitarra
Sagayama – baixo
* Na bateria, sempre um amigo convidado para tocar nos discos e/ou shows
Como petisquinho de entrada, antes da feijoada completa, mando a letra (não pude mandar a partitura, já que estou sem scanner para digitalizar a dita) de “Tristan’s Contemporary Love Song”.
Tristan’s Contemporary Love Song
Ela é a mulher
Que sabe bem
O que ela quer
Se é nadar ou rock’n’roll
Se é beber no Bar do Moe
Se é habitar o que eu sou
Ler Edgar Allan Poe
Se eu a chamar
De Iá-iá
Ela não vai
Nada gostar
Mas ama farra
Já tocou tarol
No Farol
Da Barra
Ela é a mulher
Que curte ler
No amanhecer
No belvedere
Gosta de tango
De Moliére
E do satânico
Baudelaire
Conheceu o ativista
John Sinclair
Foi cellista
& bruxa de Blair
Ela é a mulher
Ela é a mulher
Ela é a mulher
Cujo mister
É estar pra o que
Der e vier
Ela é uma parada
Linda fadinha
Deixa sempre minha
Espada tarada
(Lâmina quente)
Entrar atrás, na frente,
Em cima, em baixo, entre
Ela é a mulher
Ela é a mulher
Ela me ama
Ela me quer
Ela me chama
De Corbière
That’s all folks!
Ela é a mulher
Que sabe bem
O que ela quer
Se é nadar ou rock’n’roll
Se é beber no Bar do Moe
Se é habitar o que eu sou
Ler Edgar Allan Poe
Se eu a chamar
De Iá-iá
Ela não vai
Nada gostar
Mas ama farra
Já tocou tarol
No Farol
Da Barra
Ela é a mulher
Que curte ler
No amanhecer
No belvedere
Gosta de tango
De Moliére
E do satânico
Baudelaire
Conheceu o ativista
John Sinclair
Foi cellista
& bruxa de Blair
Ela é a mulher
Ela é a mulher
Ela é a mulher
Cujo mister
É estar pra o que
Der e vier
Ela é uma parada
Linda fadinha
Deixa sempre minha
Espada tarada
(Lâmina quente)
Entrar atrás, na frente,
Em cima, em baixo, entre
Ela é a mulher
Ela é a mulher
Ela me ama
Ela me quer
Ela me chama
De Corbière
25.1.10
2 cartas para um amor
sobrancelhas pretas
cílios agrupados
em 14 grupos
fio a fio
.............
na ponta das pedras
o equilíbrio das solas dos pés
cílios agrupados
em 14 grupos
fio a fio
.............
na ponta das pedras
o equilíbrio das solas dos pés
24.1.10
24-01-10
Eu e a Sahyja passamos um domingo bem bacana. Fomos ao CCBB, no "Contos Clássicos Brasileiros", ao "Lê para mim" no centro Cultural dos Correios, ao " Laboratório de Ações Criativas", onde a moça nos falou sobre moldura, o quanto ela influencia um quadro e sobre pintura abstrata ou de natureza morta, e onde criamos nós mesmos, com objetos , situações descritas num papel. No nosso quadro, a grama transbordou sobre a moldura, o que achamos um efeito interessante. Fizemos o quadro em grupo, e a situaçao descrevia uma pipa, com meninos em volta. Depois disso tudo, ainda fomos á exposição maravilhosa de Caio Reisewitz. A Sahyja ficou impressionada com a veracidade em que as fotografias estavam inscritas, e acabou falando :parece verdade, mamãe. Foi muito curioso que ela tenha descrito exatamente o nome da exposição. Outra frase interessante que ela disse foi: parece que vem por cima da gente.È, e dá para pegar.
Muito legal o olhar de uma menina de 6 anos! As fotos são lindas, e eu me impressionei. Para mim, pareciam quadros, de tão perfeitas as fotografias.
Só para registrar bons momentos.
Muito legal o olhar de uma menina de 6 anos! As fotos são lindas, e eu me impressionei. Para mim, pareciam quadros, de tão perfeitas as fotografias.
Só para registrar bons momentos.
20.1.10
Depois da chuva
A chuva que caiu noite e dia e noite
pára à luz
deste dia mortiço e sufocante. O sol aproxima-se
para indagar o que aconteceu.
O caminho entre as árvores tem orlas novas
em tons de púrpura
dentro do canteiro de erva fina e luminosa:
Pois tudo o que
em Novembro ficou das folhas é arrancado
da aveleira e dos espinhos
e das árvores maiores. Ao longo da mata
já não caem folhas mortas
na erva cinzenta, no musgo verde, no feto queimado e alaranjado,
porque o vento voltou;
As pequenas folhas do freixo da cabana
espalham-se ao acaso
no caminho, como pequenos peixes negros, embutidos na terra
como se fossem parte de um jogo.
Lá mais abaixo pendem de uma miríade de ramos
fortes e despidos
doze maçãs amarelas muito belas
numa macieira brava.
E em cada galho de cada gota de água no vale
cristais já escuros e luminosos da chuva
que de novo começa.
Edward Thomas
pára à luz
deste dia mortiço e sufocante. O sol aproxima-se
para indagar o que aconteceu.
O caminho entre as árvores tem orlas novas
em tons de púrpura
dentro do canteiro de erva fina e luminosa:
Pois tudo o que
em Novembro ficou das folhas é arrancado
da aveleira e dos espinhos
e das árvores maiores. Ao longo da mata
já não caem folhas mortas
na erva cinzenta, no musgo verde, no feto queimado e alaranjado,
porque o vento voltou;
As pequenas folhas do freixo da cabana
espalham-se ao acaso
no caminho, como pequenos peixes negros, embutidos na terra
como se fossem parte de um jogo.
Lá mais abaixo pendem de uma miríade de ramos
fortes e despidos
doze maçãs amarelas muito belas
numa macieira brava.
E em cada galho de cada gota de água no vale
cristais já escuros e luminosos da chuva
que de novo começa.
Edward Thomas
14.1.10
fogo mata
Incendiar diretamente o solo afeta o espaço físico, as substâncias minerais e as características biológicas do solo. Ou seja, não é bom. O fogo mata plantas, minhocas, bactérias boas, raízes, microorganismos, pequenos animais. Com a utilização do fogo, fica complicado criar um espaço orgânico produtivo. O fogo causa poluição do ar, redução da diversidade de plantas, problemas na saúde humana. Já está comprovado que o fogo não é uma alternativa para a preparação dos solos . Criar solo é o oposto de queimá-lo.
do livro : Soluções Sustentáveis, de Lucia Legan
do livro : Soluções Sustentáveis, de Lucia Legan
AQUI- Octavio Paz
Meus passos nesta rua
ressoam
em outra rua
onde
ouço meus passos
passando nesta rua
onde
só é real a névoa
ressoam
em outra rua
onde
ouço meus passos
passando nesta rua
onde
só é real a névoa
12.1.10
A morte de meu pai - Yehuda Amichai
Meu pai, de repente, de todos os aposentos
partiu para suas estranhas lonjuras.
Ele partiu para chamar seu Deus
para que nos viesse ajudar agora.
E Deus já chegou, como um operário, servente
e pendurou seu casaco num prego da lua.
Mas nosso pai, que foi buscá-lo,
Deus o guardará para sempre consigo.
partiu para suas estranhas lonjuras.
Ele partiu para chamar seu Deus
para que nos viesse ajudar agora.
E Deus já chegou, como um operário, servente
e pendurou seu casaco num prego da lua.
Mas nosso pai, que foi buscá-lo,
Deus o guardará para sempre consigo.
22.12.09
21.12.09
aniversário
para Lula
que nosso dia tenha
tido um jardim
e você dava estrelas
para crianças pequenas
que já te chamavam de professor
e seu corpo ( neón
com sua rapidez)
frente aos casacos
em minha mão e
uma bola vermelha imensa correndo
no jardim.
Sábado
No palco, durante a ópera, muita dor a ponto de sair pelas escadas lateriais . Tosse, sua.
No banheiro, entre nervoso e choro, sem ter a chave, pega o telefone, com a garganta detonada , retrata a cena que acabou de formar. Sentado, acudido pelos assessores que passam em sua nuca um papel toalha, sem água, pondo em atrito sua pele. Acalme-se, diziam. Entre o choro e a garganta, ouvia. Estava nervoso de sair do palco em cena. Em casa, medicado por si .
No banheiro, entre nervoso e choro, sem ter a chave, pega o telefone, com a garganta detonada , retrata a cena que acabou de formar. Sentado, acudido pelos assessores que passam em sua nuca um papel toalha, sem água, pondo em atrito sua pele. Acalme-se, diziam. Entre o choro e a garganta, ouvia. Estava nervoso de sair do palco em cena. Em casa, medicado por si .
20.12.09
15.12.09
terça feira
De dia:
Minhas escápulas convertidas em cabides. Caminho pelo Passeio. Porque não são idéias, são escapes da memória. Vitoriosa de que chegarei a tempo para o ensaio.
De noite:
Estou aqui há um bom tempo. Não necessariamente bom.Estou aqui e em São Paulo, lembrando o Reveillon com trabalho pesado e meu namorado se abstendo dos fogos. Tão cruel o dinheiro, podando o amor. São 1400 pilas pela noite de roupa branca. Você vai ver, pagar o aluguel, quer melhor virada de ano? HA! Na mochila, o creme de leite do strudell , a poesia do Modo. Gosto mais de tocar a missa do que a ópera do anão. Tusso, acordarei às 6. Nada muda esta rotina. Talvez mais ou menos pressa . Penso em Ricardo. Sinto minha cabeça pesada, uma saudade do tamanho da China. Este cheiro que me acompanha, que me envergonha. Perto do chefe me calo, sem ninho. Ía falar de poesia? HA
Minhas escápulas convertidas em cabides. Caminho pelo Passeio. Porque não são idéias, são escapes da memória. Vitoriosa de que chegarei a tempo para o ensaio.
De noite:
Estou aqui há um bom tempo. Não necessariamente bom.Estou aqui e em São Paulo, lembrando o Reveillon com trabalho pesado e meu namorado se abstendo dos fogos. Tão cruel o dinheiro, podando o amor. São 1400 pilas pela noite de roupa branca. Você vai ver, pagar o aluguel, quer melhor virada de ano? HA! Na mochila, o creme de leite do strudell , a poesia do Modo. Gosto mais de tocar a missa do que a ópera do anão. Tusso, acordarei às 6. Nada muda esta rotina. Talvez mais ou menos pressa . Penso em Ricardo. Sinto minha cabeça pesada, uma saudade do tamanho da China. Este cheiro que me acompanha, que me envergonha. Perto do chefe me calo, sem ninho. Ía falar de poesia? HA
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